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Voto Livre – Lei da Bicicleta

Essa semana eu bati um papo com o Marcos Juliano Ofenbock, um dos autores do votolivre.org. Segue abaixo o resumo da nossa conversa.

Quantos votos já foram registrados no site?
Já tem mais de 1.000, até me mandaram email avisando que tinha chegado nos 1.000. Vamos ver agora quanto tem?(tirando celular do bolso) Esse negócio é meio viciante, agora tô sempre no F5 pra ver quantos já votaram. Olhaí: 1038 (mostrando a tela do celular).

O número está de acordo com as suas expectativas?
Tinha gente que tava otimista e achava que em poucas semanas a gente ia conseguir juntar as 65.000 “assinaturas”. Eu acho que estamos indo bem, 1.000 já é gente pra caramba. Um vereador se elege muito bem com 5.000 votos. A internet é imprevisível quando isso estourar deve crescer bem mais rápido. Muitas pessoas têm nos procurado, acho que poderemos formar várias parcerias. Isso é muito importante já que estamos fazendo isso tudo sem receber nenhum recurso. Já tem uma agência de publicidade que quer conversar conosco, tem também a RPC e a OAB que mostraram interesse. A gente tá tomando cuidado porque também tem os caras que querem aproveitar para se promover. Deixar um logotipo ou alguma outra propaganda no nosso site. Aí fica complicado, a gente não quer capitalizar em cima disso e não dá pra ficar vinculando o projeto a uma empresa ou outra.

E em relação a validade dessas “assinaturas”, elas não precisam ser certificadas digitalmente?
Essa é praticamente a única crítica do projeto, não ter certificado digital. Mas hoje em dia, esses dados pessoais têm valor de contrato, já é assim quando se faz compras pela internet. É por isso que a gente pede o título de eleitor também. A gente vai mandar uma cópia para o TRE de Curitiba que pode comprovar a veracidade desses dados. É um pouco diferente de quando você passa uma lista com o CPF de muita gente que serve mais como uma pressão política. No nosso caso é um projeto de iniciativa popular, é uma lei proposta pelos próprios cidadãos.

E o projeto pode ser vetado mesmo depois de reunir as assinaturas?
Até pode, mas rejeitar uma proposta votada por mais de 65.000 eleitores é suicídio político. A primeira lei da iniciativa popular foi da CNBB contra a compra de votos. Depois de juntar mais de 1.300.000 no Brasil ela foi apresentada ao legislativo e em 41 dias o Fernando Henrique já tinha sancionado.

O votolivre.org é uma ação da ONG APELA? Qual seu envolvimento com a ONG?
Sim, foi na APELA que surgiu esse projeto. Eu faço parte da ONG desde que ela foi criada em 2006.

Como surgiu o projeto?
Olha foram 9 meses de reuniões toda semana. O Henrique (Ressel) ajudou bastante nas questões legais. Eu já conheço ele há muito tempo e a gente sempre conversava sobre esse tipo coisa. Ficávamos pensando o que podia ser feito. Pra gente é como um resgate da Ágora que tinha na Grécia antiga onde os cidadãos participavam diretamente das decisões políticas.

Por que a primeira iniciativa foi a Lei da Bicicleta?
Essa foi uma escolha estratégica. Não queríamos que se formasse um bloco contra a primeira iniciativa do site. Por isso escolhemos a bicicleta, ela encontra ressonância no coração de todo mundo. Acho que 99,9% das pessoas com quem conversei foram favoráveis a ideia.

E como foi definida o texto da proposta?
Ela foi em grande parte baseada naquele livro do Ministério das Cidades (Caderno de Referência para Elaboração de Plano de Mobilidade por Bicicleta nas Cidades). Aquele livro tem um monte de coisa! Traz tudo mastigadinho, é só implantar. A gente buscou também exemplos em outras cidades como em Floripa que já tá fazendo algumas ciclofaixas interessantes. Eu visitei também o Rio de Janeiro pra conhecer o SAMBA que já tem também em outras cidades como Blumenau.

Vocês têm alguma pretensão política com isso tudo?
Pelo contrário, a gente quer mostrar que a própria população pode legislar. Isso vai ser uma revolução. É um presente que a gente quer deixar pro Brasil. O site foi feito em código livre, quem quiser usar tá liberado. A gente tá fazendo isso em Curitiba mas a gente recebe email do Brasil todo. Estão de olho no que tá acontecendo aqui. Em alguns anos, essa pode ser uma ferramenta bem mais utilizada e que pode tornar o nosso país um lugar melhor. Eu trabalhei como pedreiro, como lavador de prato na Austrália mas eu tinha dignidade. Eu conseguia ter um cantinho pra mim e fazer minhas coisas. Na Europa eu também sentia isso. Quando voltei para o Brasil eu sabia que tinha que fazer alguma coisa. Mas as mudanças são lentas. Veja a Lei das Responsabilidades Fiscais. Antes, em cada mandato o sujeito gastava tudo que podia e não podia. Entregava o cargo e deixava tudo no vermelho. Agora só pode gastar o que arrecadar. Foi um grande avanço. Com a Lei da Iniciativa Popular a gente pode provocar uma mudança grande também.

Mas essa ferramenta pode ser usada para propor leis ‘más’ também não pode?
Eu sinceramente não acredito que isso possa acontecer. Se a bicicleta, que é inócua, dá o maior trabalho para juntar assinaturas… As leis más teriam naturalmente uma oposição popular muito grande.

Agora falando um pouco mais do Marcos Juliano.  Você já criou um esporte e descobriu uns túneis em Curitiba? Explica melhor essa história.
É, na verdade eu sou empresário. O meu negócio é o footsack. Ele foi reconhecido como esporte em 2008. Foi o sexto esporte criado no Brasil. Hoje já existem algumas Federações Estaduais.  É impressionante o que essa turma nova consegue fazer com essa bolinha. Aqui em Curitiba a gente está montando algumas quadras em logradouro público, vai ser ali no Barigui, isso é um grande avanço para popularizar o esporte.

Eu gosto muito de arqueologia também, quero até fazer uma pós(-graduação) para poder assumir como líder de expedição. Tem uns  túneis ali no Bosque Gutierrez, onde ficavam os jesuítas e também um lazareto, pode ter muita coisas escondida ali. Já pensou o impacto em alguém com 15 anos ao saber que ali pertinho da casa que ele mora podem ter tantos mistérios, quem sabe um tesouro.

Essa é uma pergunta que eu tenho que fazer. Você usa bicicleta na cidade?
Só nos fins de semana. Pra passear mesmo.

Por que você não usa? Quais são as dificuldades?
Olha eu queria usar mais mesmo. Acho que a bicicleta é perfeita na cidade. Mas não tem estrutura. As ciclovias que tão aí só ligam os parques. Se tivesse ciclofaixa e bicicletário ficava bem mais fácil. Tem dois funcionários aqui da empresa que vêm de bike, dou o maior apoio. Pra não dizer que eu ando só de carro, às vezes tenho que ir no centro buscar algo rapidinho na gráfica e já fui de bicicleta. Eu vou mais rápido do que de carro. Mas não tem onde deixar a bicicleta e eu acho perigoso andar na rua.

O que você acha que poderia ser feito?
Tinha que colocar ciclofaixa pela cidade conectando o centro. Tem que usar as canaletas do biarticulado para fazer vias para bicicletas. O pessoal técnico já tem muita informação a esse respeito, falta vontade política. Veja só aquela galera do Coletivo Interlux que foi lá e fez aquela ciclofaixa. Já tava mais que na hora de começar a implantar mais estrutura para bicicleta na cidade toda.

Marcos Juliano e Luis Claudio

Marcos Juliano e Luis Claudio

Uma curiosidade durante a entrevista. Nós acabamos descobrindo que o Marcos Ofenbock é apenas 2 semanas mais velho que eu e o advogado Henrique Ressel também nasceu no mesmo ano. E segundo um mestre indiano lhe disse, a turma que nasceu em 1977 são ARHAT (anunciadores do trovão). Resta saber se isso é uma boa coisa…

<Incluído no dia 12 de agosto às 10h46>
Neste domingo, dia 15 de agosto, vai haver o evento “Yoga pela Paz” no Parque Barigui e o pessoal do votolivre.org vai estar por lá com terminais disponíveis para quem quiser votar na hora.

Projeto de bicicleta urbana feminina

Um grupo de estudantes do curso de Desenho Industrial da PUC-PR está desenvolvendo como projeto final uma bicicleta urbana feminina.

Tendo em vista que o projeto é destinado ao público feminino, eles pedem a colaboração das mulheres para responder esse questionário simples e curto.

Para mais informações falar com: Anita, Nicole ou Patrícia através do email: designbicicleta@gmail.com

Projeto de lei para transporte de bicicletas

Todo mundo que viaja de ônibus com a sua bicicleta sabe que é sempre uma loteria. Algumas empresas cobram taxas abusivas para levar a bici, outras só permitem se estiverem “embaladas” e têm algumas que não aceitam levar bicicleta de jeito nenhum. Embarcar a bicicleta sem pagar nada e sem ter que implorar depende até do bom humor do motorista.

Pesquisa realizada pelo Clube de Cicloturismo em 2008 mostra que 40% dos cicloturistas utiliza o ônibus como transporte complementar durante suas viagens de bicicleta. Para o cicloturismo avançar ainda mais em nosso país, com valorização e respeito ao turista de bicicleta, alguns entraves precisam ser eliminados, e o transporte da bicicleta em ônibus é um destes empecilhos.

Denir Miranda

A tentativa de tornar uma prática comum o transporte de bicicleta em ônibus interestadual e internacional de passageiros sem que seja necessário pagar uma taxa extra é algo que vem se arrastando há anos.

Há alguns anos atrás iniciamos, através do Clube de Cicloturismo, um abaixo assinado em favor da regulamentação do transporte de bicicletas em ônibus de viagem. Alguns de vocês devem ter assinado. Depois de coletadas cerca de 5 mil assinaturas procuramos resolver a questão junto a ANTT e a ABRATI, mas não obtivemos resultados. Então foi apresentado um projeto de lei por meio do deputado Rodrigo Rollemberg que visa igualar a bicicleta à bagagem de uso pessoal do passageiro.

Rodrigo Telles
Clube de Cicloturismo

Nosso amigo Denir de Brasília vem acompanhando esse processo mais de perto. Segue abaixo uma mensagem dele com as últimas informações sobre o andamento do processo:

Chegamos num ponto crucial do processo.
O relator tem poderes quase “absolutos” sobre o PL. Ele pode sugerir aprovação, rejeição, etc.
Acho que o pior que pode acontecer é ele sugerir que a proposta entre na revisão do Código de Trânsito. Ja tem dezenas de PLs neste estágio e esta discussão vai rolar anos no Congresso (acho que o assunto “bicicletas em ônibus” não tem nada a ver com código de trânsito).

De qualquer forma, acho que vale e É importante que a gente se manifeste agora. O email do deputado é: dep.carloszarattini@camara.gov.br (que estava dando erro ontem.

Melhor fazer contato pela página da Câmara. Vamos escrever pra ele pedindo apoio e aprovação do PL diretamente, sem inclusão na revisão do Código Trânsito. O texto pode ser simples e direto. Uma sugestão:

——————————
Sr. Deputado Carlos Zarattini,

o Sr. foi indicado relator do PL-06824/2010, que estabelece procedimentos para o transporte de bicicletas nos ônibus utilizados nos serviços de transporte interestadual e internacional de passageiros.
Solicito seu apoio e aprovação da proposta, o mais rápido possível, para resolver um sério problema enfrentado rotineiramente por nós cicloturistas.
….
——————–

Se você tiver um caso seu,de problemas, cite dia, local, nome da empresa etc…
Agora é a hora de fazer pressão coletiva!!!

Denir Miranda
Transporte AtivoBrasília

Quem quiser ver todo histórico do PL acesse:
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=466364

E quem achar que vale a pena, não deixe de ajudar.

Edital Ciclofaixa da Av. Cândido de Abreu

Edital ciclofaixa

Edital ciclofaixa

O Coletivo Intelux lançou, no dia 16 de setembro, um edital para desenvolver o projeto de uma ciclofaixa na Avenida Cândido de Abreu.

Vale a pena conferir e participar.

Programa Transporte Livre

Ciclistas na CELEPAR

Ciclistas na CELEPAR

Eu trabalho numa empresa que possui mais de 1.000 funcionários espalhados em vários orgãos do governo em Curitiba e alguns outros municípios do Paraná. Contudo, mais da metade trabalha em dois prédios praticamente vizinhos no Centro Cívico bem próximos a uma ciclovia.

A idéia de incentivar o deslocamento de bicicleta para o trabalho surgiu em 2007 ao notar que era crescente o interesse de alguns colegas ao me ver chegando de bicicleta.

O projeto começou a ser efetivamente elaborado quando ingressei na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e no grupo De Bem Com aVida. A partir daí, foi possível desenvolver campanhas educativas via intranet, correio eletrônico e murais. Essas medidas estavam inseridas na primeira fase do programa chamada:

Levantamento
Antes de realizar efetivamente alguma medida voltada para ciclomobilidade na empresa e começar a orientar os funcionários, é preciso medir a viabilidade da empresa e dos funcionários por meio de pesquisas, análises e questionários. Além de dados objetivos como distância de casa para o trabalho, custos e meio de transporte utilizado, também foram realizadas entrevistas para ouvir críticas e sugestões.

Elaboração
A partir dos dados coletados, foi possível constatar o apoio da grande maioria dos empregados, traçar o perfil de quem pode usar a bicicleta e desenvolver estratégias mais eficientes para estimular o uso da bicicleta.

Funcionários a favor da bicicleta

Funcionários a favor da bicicleta

Implementação
Além dos funcionários que espontaneamente passaram a adotar a bicicleta, era hora de botar as pessoas para pedalar.

Fizemos um passeio ciclístico do Centro Cívico até Almirante Tamandaré com um grupo de mais de 30 pessoas. O trajeto foi feito 100% de bicicleta e com apoio de bicicletas. Afinal de contas se queremos provar que a bici é um transporte válido temos que fazer valer isso nas ruas.

E para aqueles que estavam indecisos, instituímos o Trajeto acompanhado. Qualquer funcionário que queira vir de bicicleta e precise de companhia ou ajuda para escolher e regular seu veículo pode entrar em contato conosco.

Acompanhamento
Apesar de o estudo apontar o interesse por parte do funcionário em adotar um comportamento mais sustentável em relação à mobilidade e da resposta positiva inicial, não houve incentivos para ampliação do programa.

Mesmo assim, novos funcionários têm passado a utilizar a bicicleta. Em um dos prédios da empresa é possível encontrar diariamente de 12 a 15 bicicletas estacionadas na garagem da empresa.

A importância do programa tem sido reconhecida fora da empresa. No ano passado ele foi aceito na Conferência Internacional de Mobilidade em Portland, EUA. E este ano será apresentado no 17º Congresso Nacional da ANTP a ser realizado no final de setembro aqui em Curitiba.

Deixo aqui um agradecimento especial a Ulrich Jager, consultor da L&J Mobilidade, que prestou um apoio imenso desde o início do projeto.

Valdo Pedalando pela paz

Há alguns anos o ex-padre Valdo Vieira trocou a batina pela bicicleta. De lá pra cá já percorreu milhares de quilômetros e cruzou vários países. Um exemplo vivo da incrível capacidade do ser humano e da viabilidade da bicicleta como meio de transporte.

E Valdo não pensa em parar tão cedo. Seu projeto Pedalando pela Paz consiste numa viagem que deve durar alguns anos. Veja o último vídeo sobre o seu projeto:

Os livros escritos pelo Valdo para arrecadar fundos para sua viagem estão disponíveis no site do GTH. Para quem está em Curitiba não é preciso pagar frete.