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É possível projetar um sinal de PARE mais eficiente?

Num artigo produzido para Slate (em inglês), Tom Vanderbilt, autor do livro: Por que dirigimos assim? discorre sobre o sinal de PARE. Além da análise histórica, Vanderbilt aponta algumas questões sobre o design, suas implicações práticas e o efeito nas pessoas. O artigo é recheado de referências, textos de apoio, vídeos e exemplos gráficos. Mas eu gostaria de chamar a atenção para algumas considerações do autor sobre uma pesquisa que mostra uma redução drástica no número de motoristas que respeitam este sinal de trânsito específico.

Por que isso acontece? Existem várias formas de interpretar esses dados (e não são necessariamente mutuamente exclusivos). Por um lado, o tráfego é um ambiente social, e autores como Robert Putnam (Bowling Alone) ou Jean Twenge (Generation Me), argumentam que o desrespeito ao sinal é um pequeno indicador, entre muitos, de uma mudança social mais abrangente: um declínio em civilidade e reciprocidade, um menor anseio em seguir regras sociais. O argumento é que uma sociedade marcada por uma crescente preocupação consigo mesmo (e consequentemente menos com os outros), não tem nem a inclinação nem a percepção necessária para acomodar o próximo, seja alguém sinalizando sua intenção, parando para pedestres num cruzamento ou observando o familiar hexágono vermelho.

Por outro lado, engenheiros de tráfego sabem de longas datas que sinalização excessiva é menos efetiva. Isso leva para uma sinuca de bico. Residentes de uma vizinhança podem reclamar de motoristas em alta velocidade em suas ruas e solicitar a instalação de sinais de PARE. Mas esses sinais não são dispositivos de segurança, nem servem para acalmar o tráfego: Eles existem para determinar o direito de passagem. Ao encarar mais sinais de PARE, alguns estudos têm mostrado, que os motoristas podem na verdade dirigir mais rápido para compensar o tempo parado (ou na verdade, a reduzida) no cruzamento. Quanto mais sinais instalados, menor é a observação do sinal.

John Staddon, um professor de psicologia na Duke University, nota um outro problema: “O excesso de sinais de PARE ensina os motoristas a prestar menos no tráfego circundante e exercitar menos o seu julgamento ao dirigir. Em vez disso, eles procuram por sinais e dirigem de acordo com o que os sinais mandam fazer…

Tom Vanderbilt

Talvez devêssemos repensar a pergunta do título: “Frente ao número crescente de carros pode existir um sinal de PARE eficiente?”

Ou ainda: “O que pode realmente reduzir o número de acidentes – aumentar a sinalização nas ruas ou aumentar o contato entre as pessoas?”

E para você, qual é a questão-chave?

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2 Respostas

  1. Na maior parte do tempo, não agimos racionalmente, mas sim por impulsos guiados pelos habitos e instintos. Se tivéssemos que pensar racionalmente em tudo o que fazemos, não seríamos capazes de dirigir um carro ou uma bicicleta, seríamos sempre motorístas inexperientes.
    Sinais de trânsito têm alcance limitado na organização do tráfego e na prevenção de acidentes porque não criamos o hábito de respeitá-los. E porquê não? Primeiramente porque a maioria das regras de trânsito servem para o bem coletivo, para socializar e organizar tráfego a fim de que todos os transeuntes possam atingir seus objetivos de forma igualitária. O problema não é esse, o problema é que raramente estamos pensando no bem coletivo queando nos movimentamos pela cidade, e por este motivo escolhemos conscientemente ignorar as regras que não nos tragam vantagens diretas e imediatas. Aí entra o segundo motivo pelo qual não conseguimos criar um hábito. Na grande maioria das vezes que escolhemos consciente desrespeitar uma regra, nada de mal nos acontece, muito pelo contrário, só ganhamos (individualmente) com isso. Isto faz com que o comportamento inadequado seja reforçado ao invéz de ser penalizado.
    Levando em conta estas idéias, sim precismos dos sinais para comunicar claramente as regras. Mas sem mecanísmos de controle (lombadas que realmente reduzam a velocidade, radares e fiscais de trânsito que realmente fiscalizem o cumprimento das regras, intersções bem projetadas, para automóveis, pedestres e ciclistas, que forcem a organização, etc.) eles terão pouco efeito prático.

  2. Interessante análise Nicholas

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