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Decreto federal proíbe circulação de veículos particulares motorizados

Durante uma convenção política num resort cinco estrelas onde estavam reunidos vários dirigentes do governo brasileiro ocorreu um trágico “acidente” de trânsito envolvendo vários de seus familiares que tinham ido apoiá-los (bancados pela ajuda de custo do governo, é claro).

Tudo começou quando um motorista avançou um sinal vermelho em alta velocidade para fugir de uma via que apresentava congestionamento e acabou batendo na lateral esquerda do carro do filho do presidente. Com a força do impacto, mais dois carros foram envolvidos na batida e alguns outros acabaram engavetando. Alguns dos passageiros que não se feriram nas colisões, saíram dos carros, acabaram discutindo e trocando agressões com barras de ferros e destroços das batidas. O BPTran informou que houveram três mortes e mais quatorze pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. Entre eles estavam também: a esposa do presidente do Senado, o filho do governador do Paraná, a irmã mais nova do presidente da Câmara dos deputados e o cunhado do governador de São Paulo.

Inconformados com as perdas irreparáveis, foi decretado luto nacional e uma batalha judicial estava prestes a começar para condenar os responsáveis. Logo após a tragédia, um grupo com cicloativistas do Brasil inteiro se mobilizou para entrar em contato com esses políticos buscando confortá-los e demonstrando que o problema não seria resolvido através da punição de alguns poucos motoristas.

Extremamente sensibilizados com o acontecido e pela primeira vez, conscientes da dimensão real do problema. Foi decidido de forma unânime e em caráter de urgência que os carros e motos deveriam ser banidos das ruas de todo o país, salvo situações especiais. Assim, nos cinco anos seguintes foram sendo paulatinamente implantadas medidas para restringir a circulação de veículos particulares motorizados. Os primeiros a sofrer sanções eram os proprietários com maior número de automóveis. Para surpresa de todos, os próprios políticos foram os primeiros a dar o bom exemplo.

À medida que o número de automóveis circulantes diminuía, o transporte público se tornava mais eficiente, rápido e barato. Como o automóvel ocupava mais 70% do espaço viário apesar de transportar apenas 25% das pessoas, com a redução de apenas 20% da frota circulante o espaço gerado foi tão grande que possibilitou o ressurgimento do bonde e trem urbano. A redução do espaço nas ruas destinado a vagas de carros também permitiu a criação de corredores para ciclistas e parques lineares. Os estacionamentos particulares também desapareceram, dando lugar a usos mais produtivos.

Ao final dos cinco anos, foi possível implantar a tarifa zero no transporte coletivo; mesmo assim os custos com o sistema viário e transporte foram reduzidos pela metade, já que praticamente não haviam mais gastos com os milhares de acidentes, com sinalização semafórica e a manutenção/ampliação de viadutos e avenidas.

O transporte público passou a ter capacidade de atender toda a população e a velocidade média dos ônibus era superior aos carros de antigamente, porém muitos passaram a usar a bicicleta, já que não havia mais barulho, poluição e risco de atropelamento.

Isso tudo, foi apenas a fase de transição onde todos ainda tentavam se deslocar como faziam antigamente com os carros. Os grandes estacionamentos de hipermercados e shoppings foram aos poucos perdendo o sentido e todos foram redescobrindo as ruas, parques e cantos do seu próprio bairro. Aos poucos, os pequenos comércios foram ressurgindo. Feiras, padarias e vilas de ofícios se espalharam pela cidade. As crianças que até pouco tempo não tinham outra opção além do videogame, ganharam novamente as ruas e reinventaram inúmeras brincadeiras coletivas.

A era da carrocracia parecia agora apenas um pesadelo distante.


Este texto é ficcional, mas o que impede dele se tornar realidade não é uma impossibilidade física (não estamos falando de homens que voam ou soltam raios pelos olhos). Também não é uma impossibilidade tecnológica (não estamos falando de uma máquina de teletransporte). Tampouco é uma impossibilidade financeira (não é preciso investir mais dinheiro do que já é investido, pelo contrário, o custo é menor).

A única coisa que impede que este texto se torne a realidade é o desejo do homem. Tudo que foi contado aqui é perfeitamente possível, basta permitir que aconteça. Basta que se use menos o carro.

2 Respostas

  1. Que texto significativo! valeu.

  2. Mas tem uma coisa errada no texto. Parentes de políticos não sofrem acidentes de trânsito… eles causam!

    De qualquer modo, lembrei do Mario Quintana:

    “Se as coisas são impossíveis… ora!
    Não é motivo para não querê-las!
    Que tristes os caminhos se não fora.
    A mágica presença das estrelas!”

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