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Ciclista da vez: Letícia

Hoje vamos apresentar uma pedalante que tem 28 anos, é estudante de mestrado e mora no Cristo Rei. Com a palavra, Letícia da Costa e Silva.


indo para Morretes

indo para Morretes

Estou em Curitiba há dois anos, antes de mudar para cá tinha um carro, mas vendi na mudança. Achei que a cidade desde o início me oferecia mobilidade que não tinha em Manaus, seja a pé ou de ônibus e com o tempo fui deixando de querer comprar outro carro. Mesmo andando a pé ou de ônibus observava que a cidade tinha um número considerável de ciclistas que utilizam a magrela como veículo diariamente, mas ainda não passava pela minha cabeça em ter uma.

 

Aí, há uns 10 meses atrás conheci o Iê, amigo querido, que havia se mudado para Curitiba há uns 2 anos também e tinha deixado de andar de bicicleta. Ele começou a se movimentar para comprar a magrela, e depois de uns 3 meses que o conhecia ele apareceu lá em casa com ela. Todo orgulhoso e falando de muitas das viagens que ele havia feito já na vida de bicicleta e me deixando a par das suas pedaladas pela cidade. Comecei a ficar com vontade de ter uma também, via o Iê indo para minha casa, indo trabalhar, passear, fazendo tudo com sua bicicleta, e notei que seria muito melhor me movimentar de bicicleta pela cidade do que a pé ou de ônibus. Faria exercício, economizaria tempo, dinheiro, apreciaria as paisagens e ainda teria maior autonomia na mobilidade.

Fui até o Velo Club do Alessandro há uns 5 meses atrás para montar a bike, indicado pelo Iê que nesse meio tempo já estava agilizando a abertura de sua empresa de Cicloturismo. E foi lá com o Alessandro que comecei a conhecer melhor essa opção de transporte e ficar mais encantada com a ideia. Copiei a mesma bike que o Salin fez para a namorada dele, já que no dia que fui encomendar a bike, ele estava lá e barganhava tudooo e passava segurança sobre o que estava negociando. A partir daí, voltei várias vezes no Alessandro, sempre recebendo dicas de manutenção da bike.

O que inicialmente era planejado para ser um veículo só na cidade (tenho para-lama na magrela), transcendeu….já peguei a BR para Morretes e quero fazer mais (me arrependi de ter colocado o para-lama por causa dessa viagem, vou tirar ele). Praticando comecei a perceber a importância da bicicleta como transporte na cidade, para o meio ambiente e para a nossa saúde mental, emocional, física, espiritual….. E agora sou defensora do uso de bicicleta como ‘transporte humano’ e uso a bicicleta de 6 a 7 dias por semana.

Em relação ao que a minha família acha… Bom, meus pais moram em Manaus, eles apoiam, mas ficam preocupados com a segurança, pois pedala a noite também. Sempre os acalmo, pois podemos escolher os lugares por onde pedalar na cidade e nunca tive maiores problemas com isso. Os amigos, alguns ficam entusiasmados e outros acham ser um hábito estranho. Infelizmente ainda há pouco esclarecimento e alguns preconceitos sobre o uso da bicicleta como transporte na cidade, mas vejo que com o tempo eles vão desaparecendo.

Tenho qualidade de vida. É como se fosse uma terapia, além de economizar tempo, dinheiro. Quando fico dois dias sem andar de bicicleta já sinto falta. Parece que há um outro tipo de interação com a cidade e o ambiente, que nem a pé ou de carro você consegue aproveitar. Só pedalando mesmo. Mas acho que a cidade deveria estimular mais o uso da bicicleta pelos cidadãos oferecendo uma melhor infra-estrutura e bicicletários para estacionar (falta na cidade). Inserindo faixas para ciclistas em pistas estratégicas. É ótimo termos uma ciclovia, mas acaba que o compartilhamento atrapalha, não por não querer dividir e sim porque a velocidade de uma bicicleta e dos pedestres são diferentes.

Taí mais um motivo para as faixas nas ruas, assim não dividiríamos as faixas de automóveis com eles. O curioso é que o plano de mobilidade urbana da cidade prioriza em primeiro lugar os pedestres e ciclistas, mas não é bem isso o que vemos acontecer em sua infra-estrutura e leis. Um exemplo é o projeto de lei para os shoppings terem um bicicletário e o veto do antigo prefeito. Apesar de Curitiba oferecer melhor infra-estrutura que as outras cidades do país, para realmente priorizar os pedestres e ciclistas, a cidade precisa ainda adequar muito sua infra-estrutura viária.

Eu percebo que quanto mais ando de bike, mais jeitosa fico pedalando. Então tô praticando para melhorar cada vez mais minha pedalada, mas não obrigatoriamente, mas porque eu gosto. Talvez também se nós bicicleteiros tivéssemos mais adeptos teríamos uma infra-estrura melhor de se pedalar.

Cicloviagem? Yep, para Morretes! Bueno, tentei ir com uma amiga, mas não conseguimos finalizar. Fizemos 47 km. Pegamos a BR para SP e entramos pela estrada da Graciosa, paramos no Mirante. Afff….foi uma aventura e delícia, primeira experiência e fomos sem preparo algum, nem mapa. Então erramos caminho, nos deram direção errada, outras vezes entendemos errado. Fomos num bicicleteiro na Vila Zumbi (bairro bem amigável, por sinal e por contradição) e apreciamos lindas paisagens. A Serra do Mar é linda mesma. E que bom que tenho uma bicicleta que me permite apreciar e me envolver com estes ambientes interagindo, “experenciando”….muito diferente do que estar num carro.

2 Respostas

  1. Letícia…
    achei um depoimento sincero e muito rico. A questao do tratamento dado pelas autoridades com respeito ao uso da bicicleta é algo que tem que melhorar em muito, além das calçadas para os pedestres que também é outra omissao do poder público, cuja lei atribui ao proprietário a execussao e manutençao, mesmo sendo um ente público!

    Siga pedalando e desfrutando da liberdade do uso da magrela e nao ligue aos preconceitos de algumas pessoas menos esclarecidas. A bicicleta é ambientalmente sustentável e um excelente meio de transporte, além de ser saudável fisica e mental à quem a utiliza.

    Parabéns pela sua aportaçao ao blog do GTH.

    abrazos,

    rg

  2. Saiba Letícia, que o ritual de passagem do ciclista para o cicloturista é a descida de bike até Morretes ou melhor, até Antonina. Se você desitiu numa primeira vez, talvez porque não estivesse ainda condicionada à estrada, mas não desista, continue pedalando, faça treinos regulares (de preferência diários), informe-se com o pessoal mais experiente sobre ciclo-viagens ou no forum. Na estrada até o fator psicológico influi. A descida da Graciosa tem que ser feita, devagar, aproveitar o máximo aquela sensação de liberdade que a serra do mar nós oferece.
    Parabéns pela iniciativa.

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