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Por um uso mais racional do carro

Tem gente que diz que os ciclistas urbanos, principalmente aqueles que optaram pela bicicleta pelo fato de ela ser um meio de transporte mais sustentável, odeiam os carros. Não é verdade. Quero dizer, até pode ser verdade no caso de alguns, mas não há razão para se odiar os carros.

Ao invés de lutarmos pelo fim dos carros, devemos pensar em seu uso sim, só que mais racional. Carros são úteis e para algumas pessoas (não tantas assim, na verdade) este transporte é a única opção.

O problema surge quando nós passamos a utilizá-los para ir comprar pão na padaria da esquina. Outro problema é quando não conseguimos nos organizar para evitar tanto desperdício (de dinheiro, de energia, de espaço etc.) e passamos a circular solitários em nossos automóveis (o que, diga-se de passagem, é muito, muito comum).

O maior problema, eu diria, é quando o carro passa a significar algo bem diverso do sentido para o qual foi criado. Além de ser meio de transporte, é sinônimo de status, é instrumento de “pertencimento”, uma forma de inclusão, é item obrigatório, sendo indiscutível a necessidade de se ter um na garagem. Aí o uso do carro já está bem longe de ser racional.

E a conseqüência de uma mentalidade assim é que isto se espalha para além de uma questão individual: tenho ou não tenho um automóvel? Se tiver, que uso farei dele?

Carros são, hoje, os donos das ruas. O pedestre e o ciclista é que têm que ficar espertos quando estiverem transitando por seu “território”. A lei nas ruas é contrária ao Código de Trânsito Brasileiro, que diz que pedestres e veículos não motorizados têm preferência sobre todos os demais.

Além disso, os carros costumam ser prioridade na maioria das administrações públicas. Por quê? Porque não se discute o seu uso racional. Ao contrário, abrem-se cada vez mais avenidas, transforma-se tudo em asfalto para que eles possam circular, para se tentar contornar um grande problema que os carros mesmos criam: os temidos engarrafamentos.

Irracional, então, é propor: vamos deixar os carros em casa e utilizar mais o transporte público ou a bicicleta; vamos tirar espaços de estacionamento nas ruas e criar ciclofaixas; por que não diminuir a velocidade máxima nas vias, em nome da segurança?; por que não reduzir o fluxo de veículos?

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Não se trata de combater o automóvel como um mal. Sua exagerada concentração nas cidades é que leva à negação de sua função. É claro que o urbanismo não deve ignorar o automóvel, mas menos ainda aceitá-lo como tema central. Deve trabalhar para o seu enfraquecimento. Em todo caso, pode-se prever sua proibição dentro de certos conjuntos novos assim como em algumas cidades antigas.

Guy Debord, dezembro de 1959

em “Posições Situacionistas sobre o Trânsito”

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Perguntinha:

Em que situações você acha que o carro é realmente necessário?

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7 Respostas

  1. Olá…. gostei do seu blog. to meio sem tempo, depois eu passo de novo e faço um comentário descente ;D
    :*

  2. Parabéns pelo blog. Fica aqui meu depoimento.
    Sou empresário e utilizo a bicicleta como meu principal meio de transporte. Eu me revezo entre as (poucas e mal planejadas) ciclovias, canaletas de ônibus, calçadas (infelizmente) e ruas, conforme o caso. Evito utilizar as ruas, pois o fluxo de carros é muito grande a a velocidade é sempre alta.
    Quando utilizo as ruas, ando sempre no canto, bem rente à calçada ou aos carros estacionados. Procuro sempre sinalizar com o braço para que os carros diminuam a velocidade ou desviem de mim. Até agora tenho tido bons resultados com essa tática, os motoristas têm me respeitado.
    Alguns amigos dizem que sou louco, que qualquer hora acabarei sendo atropelado. Será que sou louco mesmo? :o)

    • É Rogerio…

      A gente conhece bem esse tipo de comentário. E nós pretendemos reverter esse quadro. Louco é quem não pensa na saúde da sua própria cidade.

      Só uma ressalva, pedalar rente aos carros e à calçada pode ser perigoso. A chance de levar fechadas ou ser surpreendido por uma porta sendo aberta é maior.

  3. Parabéns pelo blog e pela iniciativa. Utilizo a bicicleta para ir e vir do trabalho, mas por enquanto só pela ciclovia. Tenho medo de me aventurar pelas ruas…

  4. […] e questionar o modelo de desenvolvimento centrado no automóvel, tenho procurado alternativas ao uso irracional do carro. Já não tenho carro há alguns anos e tento ajudar qualquer um que queira usar menos o carro e […]

  5. […] originalmente publicado no blog Transporte Humano em dezembro de […]

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