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Espraiamento de cidades

Subúrbios

Subúrbios

Espraiamento ou espalhamento de cidades (urban sprawl) é o fenômeno caracterizado pela expansão horizontal das cidades muito antes de se atingir uma densidade demográfica ideal. São bairros ou cidades dormitório que surgem numa região mais afastada ou na área metropolitana de uma grande cidade. São chamados assim porque não possuem uma oferta mínima de empregos e serviços gerando um deslocamento diário de boa parte dos seus moradores até a área urbana central.

Causas do espraiamento

Os estudos existentes demonstram que, nos anos 60 e 70, ocorreu um intenso processo de periferização na maioria dos centros urbanos brasileiros. Este padrão de crescimento urbano foi recorrentemente aprovado pelo poder público local, principalmente ao promover e/ou permitir a instalação de conjuntos habitacionais distantes da área urbana consolidada; ao conceder a implantação de loteamentos em áreas rurais; ao promover alterações pontuais na legislação de uso e ocupação do solo e na definição da legislação de perímetro urbano e de zonas de expansão urbana, entre outros.

Além da dificuldade de gestão do uso e ocupação do solo, esse processo de periferização resultou também em um aumento dos custos da urbanização e na deficiência do setor público no atendimento das demandas por infra-estrutura e serviços públicos. Milton Santos enfatiza este aspecto quando coloca que os “conjuntos habitacionais levantados com dinheiro público situam-se quase invariavelmente nas periferias urbanas, a pretexto dos preços mais acessíveis dos terrenos. É desse modo que o BNH contribuiu para agravar a tendência ao espraiamento das cidades e para estimular a especulação imobiliária. Produzem-se novos vazios urbanos, ao passo que a população necessitada de habitação, mas sem poder pagar pelo seu preço nas áreas mais equipadas, deve deslocar-se para mais longe, ampliando o processo de periferização”.

Fugindo das cidades

Além desse quadro que acabei de apresentar, a gente presencia hoje um outro perfil de morador dos subúrbios. São famílias com poder aquisito relativamente alto que optam por morar em locais mais afastados em busca de tranqüilidade, segurança e silêncio. Coisas que elas julgam que não conseguem mais encontrar na região central das cidades.

Esse é um processo que gera um custo de urbanização ainda maior, pois a infra-estrutura de água, esgoto, luz, telefonia e estradas é superior por causa do alto padrão dos moradores.  Sem contar o aumento da poluição por conta dos inúmeros quilômetros a mais rodados.

Como deter o espraiamento
Os subúrbios já existiam antes dos carros, contudo eles sempre se concentravam ao redor dos terminais de transporte público (trem, bonde ou ônibus) que davam acesso aos mesmos. É por causa do atual modelo viário que o espraiamento tem crescido descontroladamente.

De acordo com a professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas (SP) e ex-secretária nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, Raquel Rolnik, essa fuga poderia ser evitada se o espaço público urbano mais central fosse organizado de maneira mais racional, de forma mais democrática para que as pessoas se sintam a vontade para realizar mais atividades na cidade e em espaços públicos, em vez de passar boa parte do tempo dentro de casa ou demais locais privados, entre quatro paredes. Infelizmente, essa continua sendo a tendência dos nossos governantes.

E você, onde gostaria de morar?

(Este artigo também foi publicado no portal 2comm)

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5 Respostas

  1. Fiz uma busca na internet e encontrei esta interessante página, Luis Patrício. Gostei bastante do que li. Tema instigante e uma facilidade exemplar de expressar idéias em página eletrônica. Um abraço.

    Doralice Araújo, professora de Redação; moradora muito satisfeita no bairro Mercês e usuária contumaz do transporte coletivo urbano.

    • Obrigado pelo comentário Doralice e também pelo link pro nosso blog no seu último texto.

      É um grande prazer receber seu elogio. Acompanhamos e apreciamos sua coluna. Inclusive tomamos a liberdade de reproduzir um artigo seu sobre educação na canaleta, rua e calçada (com os devidos créditos, é claro) no nosso blog.

  2. […] para o aquecimento global. Nossas cidades sofrem cada vez mais com congestionamentos e o espraiamento induzido pelo uso excessivo do […]

  3. […] Para um país grande como o Brasil, a escolha do tipo de transporte utilizado tem mais consequências do que simplesmente o preço do frete. Não há a menor dúvida de que o transporte rodoviário, assombrosamente majoritário no país, encarece os deslocamentos. Mas ele também é responsável por outros males característicos da urbanização brasileira, como o inchaço das grandes cidades. […]

  4. […] é verdade que o crescimento espraiado, para os subúrbios, cria diversos problemas de mobilidade e comunidades iso… e demasiado uniformes,  pouco adianta defender mais densidade por meio de arranha-céus se isso […]

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