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As funções (esquecidas) da rua

A rua é pública ?

A rua é pública ?

As ruas têm sido, cada vez mais, encaradas como obstáculos para se chegar a algum lugar (fechado e privado) para descansar, comer, conversar, ler, exercitar-se, fazer compras, enfim, viver. Afinal de contas, quem quer perder tempo nesses locais barulhentos, poluídos, desconfortáveis e inseguros chamados de rua? Até pouco tempo atrás era diferente. A rua servia como meio de passagem para as pessoas se deslocarem. Mas, além disso, ela fazia parte do cotidiano da população, cumprindo inúmeras funções sociais e abrigando diversas atividades.

Vida na praça

Vida na praça

Note que isso é completamente diferente dos parques e bosques que são projetados intencionalmente para que as pessoas possam caminhar, relaxar e curtir a natureza; porém são isolados, não fazem parte do cotidiano das pessoas. Não deveríamos ter que recorrer a “currais” para encontrar um local agradável ao ar livre. A cidade como um todo deveria ser um local agradável ao ar livre.

Essas funções do espaço público estão tão dissociadas hoje em dia que se você estiver de bicicleta no centro da cidade e cruzar com algum conhecido, provavelmente ele vai lhe perguntar se você está “passeando” ou “de férias”. É difícil de conceber que você esteja no trânsito indo pagar contas ou indo para aula ou para o trabalho e ao mesmo tempo você esteja apreciando a cidade, conhecendo pessoas, fazendo exercício ou qualquer outra coisa durante o seu deslocamento. Algumas políticas públicas chegam até mesmo a desencorajar o uso da rua como espaço de convivência.

Ao usar o carro, a interação com a cidade é consideravelmente reduzida. E o pior, a interatividade como um todo em regiões com grande fluxo de automóveis também fica prejudicada.

O Gestenn me contou uma vez que, quando ele trabalhava na Siemens e ia de bicicleta, ele conhecia pelo menos 26 caminhos diferentes para chegar ao trabalho. Sempre descobrindo uma esquina nova, sem pressa de chegar e sem medo de diminuir o passo. Acho que foi a partir daí que ele foi percebendo o potencial do cicloturismo.

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4 Respostas

  1. […] vindo, mas a coisa pára por aí. Cada vez mais a rua é um “não-lugar”, já que todas as suas funções têm sido abandonadas, exceto como meio de […]

  2. tá muito bom esse blog, pessoal.. Parabéns.
    Adicionei nos links da “biciccletada guarapuava”

    abraço
    Vinicius

  3. Vimos a evolução das cidades nos anos pós revolução industrial e o massivo uso do automóvel nas mesmas com implicação e conseqüente perda de qualidade de vida desde a ótica social (no convívio) e ambiental (sustentabilidade).

    A busca por uma cidade sustentável deverá sem dúvida considerar a recuperação da caminhabilidade como um objetivo na mobilidade e na acessibilidade, pois caminhando nos encontramos com os vizinhos, com pessoas de outros lugares, não contaminamos o meio ambiente e muitas vezes, chegamos ao destino mais rapidamente que se utilizássemos o automóvel e até mesmo o transporte público.

    Segundo o professor Antonio Estevan, a migração do transporte, passa pela gestão ativa da congestão e da desconstrução de infra-estruturas urbanas. E complementa: “O marco transporte global não é compatível com a sustentabilidade e o que não é necessário deverá ser eliminado. O século XXI deverá ser o século do não projeto e da não construção.”

    A caminhabilidade vem, como uma maneira natural e sadia de nos movermos, uma vez que nós os humanos, começamos a caminhar logo ao segundo ano de nossas vidas e seguimos até praticamente nossa morte e não temos que ter habilitação para isso.

    A caminhabilidade pode ser tomada como um indicador uma vez que se pode mensurá-la por critérios como o proposto por Cristopher Bradshaw ou pela metodologia do professor Evandro Cardoso dos Santos (PUC-PR), ambos, pontuam através de critérios, as condições das calçadas para que o pedestre possa caminhar e desfrutar com segurança, bem estar, sustentabilidade ambiental e equidade social.

  4. […] vindo, mas a coisa pára por aí. Cada vez mais a rua é um “não-lugar”, já que todas as suas funções têm sido abandonadas, exceto como meio de […]

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