Em agosto, Porto Alegre sediará o Festival Açaí Musical, que ocorrerá dia 25 de agosto, no Pepsi on Stage. O festival colocará no palco quatro grandes nomes do pop rock nacional e internacional: John Butler Trio (Austrália), Cachorro Grande, Móveis Coloniais de Acajú e Gustavo Telles & Os Escolhidos.
Entretanto, o que diferencia o evento, são algumas práticas que serão adotadas:
Incentivar o transporte por bicicleta disponibilizando bicicletário exclusivo no local.
Oferecer lanche vegano de cortesia para quem for pedalando.
Efetuar as entregas de ingressos por bicicleta pela PedalExpress.
E distribuição gratuita de Ecobags do Festival.
Realmente um belo exemplo do que pode ser feito. Simples e extremamente prático.
Apesar do foco do GTH ser local, apenas Curitiba. Eu não posso deixar de apresentar esse interessante trabalho sobre minha cidade natal.
São Luis é uma cidade que foi boa para morar enquanto não haviam tantos carros. Ela não cresceu, inchou. Sem um pingo de planejamento. Um pouco diferente de Curitiba (citada algumas vezes no vídeo abaixo) que ainda vislumbrou projetos interessantes em décadas passadas e agora sucumbe ao carro.
Apesar de não ter participado de todo o evento, eu tive a oportunidade de assistir e conversar com pessoas muito interessantes.
Estavam presente cicloativistas e representantes de ONGs de várias cidades. Velhos conhecidos (virtuais) de listas, blogs, programas de TV e outras mídias que enfim ganharam corpo. No último dia do evento, a nova diretoria foi escolhida em assembleia:
A presidência da entidade, pelos próximos três anos, será exercida por Arturo Alcorta, do site Escola da Bicicleta e conselheiro do Instituto Pedala Brasil (IPB). A diretoria financeira ficará por conta de Reginaldo Paiva, presidente da Comissão de Bicicletas da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). Da capital federal, Uirá Felipe Lourenço ficará como diretor administrativo e Renato Zerbinato…
Além deles haviam também vários representantes de prefeituras e secretarias de transporte de todo o Brasil que foram ouvir e tentar adotar algumas das iniciativas e projetos apresentados. Na apresentação do Programa Transporte Livre, por exemplo, tinham representantes de Maringá, Toledo, Sorocaba, Rio de Janeiro, Rio Claro e algumas outras cidades.
Confraternização
Também houveram alguns convidados internacionais.Tive o prazer de assistir a apresentação de Ricardo Montezuma, da Fundación Ciudad Humana sobre as “ciclovias de domingo” que existem em Bogotá desde a década de 70 e tem se popularizado pelo resto da América nos anos 2000. Mostrou vários casos e como cada povo encontra sua forma própria de abrir as ruas no domingo. E que essa diversidade e imprevisibilidade é um elemento essencial para uma cidade saudável. Comentou ainda como alguns movimentos que estão no início aqui no Brasil se parecem com o que era feito 30 anos atrás na Colômbia:
Não estou falando isso para desanimar vocês, mas pode ser que vocês não desfrutem do resultado do que vocês estão fazendo agora em várias cidades no Brasil. Mas com certeza seus filhos e os filhos deles poderão aproveitar bastante.
Ricardo Montezuma (COL) e Amarilis Tricallotis (CHI)
O evento teve um grande apoio da prefeitura de Sorocaba que, diga-se de passagem, tem feito um grande trabalho em prol das bicicletas.
ciclovia de sorocaba
Fabiano Pacheco do blog Bicicleta na rua fez uma bela cobertura do evento. Veja um dos seus vídeos:
SHOW ME A REASON TO BIKE é o primeiro concurso lançado pelo site Why Biking e sua proposta é convidar os internautas a mostrar, através de fotos e desenhos de humor, razões para aderir à bicicleta. A votação será realizada no próprio site pelos internautas e o trabalho mais votado de cada categoria será premiado .
Este é um daqueles assuntos que vem a tona em Curitiba somente perto das eleições. De qualquer forma, como estamos recebendo perguntas a respeito disso, vamos falar um pouco sobre isso.
Apesar do investimento intenso em Curitiba no alargamento de vias, construção de binários, vias expressas, remoção de praças e jardinetes; a velocidade média de carros e principalmente ônibus tem caído e o tamanho dos congestionamentos tem aumentado. Isso é perfeitamente compreensível se considerarmos que medidas como essas tornam cada vez mais difícil o trânsito de pedestres, ciclistas, crianças, idosos e portadores de necessidades especiais. Visto que o barulho, a poluição e o risco de acidentes aumenta consideravelmente. Isso acaba “empurrando” muita gente para o uso do transporte individual motorizado.
O objetivo principal da Zona 30 é justamente permitir que todos os não-usuários do transporte motorizado possam ter uma experiência mais agradável nas ruas e espaços públicos. Obras como essa são importantes especialmente em regiões de grande concentração de serviços e produtos e portanto naturalmente favorecem o deslocamento a pé. No Brasil já existem iniciativas como essa. Um exemplo é Copacabana no Rio de Janeiro que adotou a Zona 30 no ano passado.
É interessante notar como isso também pode favorecer os próprios motoristas, pois ao estimular os outros modais vão haver menos carros em circulação e estacionados.
Além disso, velocidades máximas mais baixas implicam em menos acelerações e desacelerações bruscas o que também facilita a fluidez dos motorizados.